Pieter Vlam nasceu em Den Helder, No Holl, Paises Baixos no dia 8 de julho de 1894 de Arien Vlam e Aaltje Klant. Ele se converteu a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, junto com sua mãe e irmão quando tinha 16 anos de idade. Um ano depois de se tornar membro da Igreja ele se alistou na Marinha Real Holandesa. No dia 24 de agosto de 1929 ele se casou com Hanna Melaine Gysler, também membro da Igreja no cantão de Winterthur, Zurique, Suíça.

Em 1933, Hanna acompanhou seu marido e foi morar nas instalações militares de Surabaya na ilha de Java na Indonésia. Durante esse tempo eles tiveram uma filha chamada Grace. Eles permaneceriam na Indonésia até 1938.

Sua filha Grace se lembra, “Apreciamos tanto morar na Indonésia… Estes foram nossos melhores momentos”.  (Mormon Times; Finding faith in Stalag 371; Michael De Groote; 29 de janeiro de 2009.) Contudo, seu pai nunca contou a verdade a seus filhos a respeito daqueles “anos dourados”. A verdade era que o oficial superior de Vlam odiava os mórmons e fez de tudo para destruir ele e sua carreira. A perseguição que sofreu por causa de sua fé fez impossível com que cumprisse seu dever na Indonésia, e relutantemente, ele e sua família voltaram para casa fazendo uma inusitada parada.

Sua filha Grace relembra: “Assim que fosse possível em sua carreira, ele planejava emigrar para a América e viver entre os Santos na Cidade do Lago Salgado” (Mormon Times; Finding faith in Stalag 371; Michael De Groote; 29 de janeiro de 2009.) Pieter e Hannaaté deram a seus filhos nomes americanos como: Grace, Heber (seguindo o presidente Heber J. Grant) Vera (que nasceu na Indonesia) e Alvin (que nasceu nos Paises Baixos em 1939). Embora não fosse possível se mudarem para Lago Salgado naquela época, a família foi capaz de ir até là e acançar uma meta ainda mais importante. No dia 9 de junho de 1938, a família Vlam se ajoelhou em um altar do Templo de Lago Salgado e foram selados como uma família eterna. Da Cidade de Lago Salgado eles retornaram para os Países Baixos.

Em 1939 Vlam era um oficial da Marinha Real Holandesa. A ameaça nazista fez com que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias retirar todos os missionários da Europa.  Elder Joseph Fielding Smith chamou três lideres locais para dirigir a Missão Holandesa: Jacob Schipaanboord como presidente interino, Arie D. Jongkees, que conheceu a igreja por meio de Vlam, como primeiro conselheiro, e Pieter Vlam como segundo conselheiro. Quando os nazistas invadiram os Países Baixos em Maio de 1940 Vlam teve que encontrar um novo emprego e se mudar com a família para Voorburg perto de Hague. Muitos de seus vizinhos também eram militares, mas não estavam especialmente felizes em viver próximos de um Mórmon, porém um trágico acidente logo mudaria tudo.

Na tenra idade de 4 anos a filha de Pieter, Vera foi atingida por um trem e acabou falecendo. Este acidente enterneceu os corações dos vizinhos e eles se tronarão mais abertos e receptivos com a família Vlam. A família foi confortada pelas bênçãos do templo que haviam recebido na Cidade do Lago Salgado. Em maio de 1942 outra cadeia de eventos aconteceu:

Grace se lembra de estar na sexta série quando em maio de 1942 quando ouviu alguém dizer: “Eles fizeram os nossos militares prisioneiros”.

Grace correu para casa. A porta da frente estava trancada. Ela tocou a campainha. Sua mãe abriu a porta. “É verdade?” Grace perguntou.

Sua mãe não respondeu. Ela não precisou. Grace podia ver que era verdade olhando para o seu rosto. Sua mãe não podia falar. Ela se virou e entrou em casa.

Grace permaneceu ali, uma menina de onze anos de idade na entrada da casa. Os nazistas haviam levado o seu pai.

Ela tentou reprimir seus sentimentos. Então, ela disse, O Espirito do Senhor falou com ela de modo audível: “Você vera seu pai novamente”. (Mormon Times; Finding faith in Stalag 371; Michael De Groote; 29 de janeiro de 2009.)

Pieter Vlam foi levado preso pelos oficiais Nazistas junto com outros oficiais holandeses para Nuremberg-Langwasser, um campo de prisioneiros próximo do infame rali de Nuremberg em 1939. Ele escreveu uma pequena nota para sua família pedindo suas escrituras – incluindo o Livro de Mórmon e Doutrina e Convênios. Em sua nota ele escreveu: “Deus nos reunirá novamente… Confiemos Nele. Viva o Evangelho com as crianças…. Sejam corajosos e continuem a viver uma vida normal”. (Mormon Times; Finding faith in Stalag 371; Michael De Groote; 29 de janeiro de 2009.)

Depois de três meses, Vlam foi transferido  para Stanislau na Polônia (agora chamada Ivano Frankivsk, Ucrânia). O campo, Stalag 371, era um monastério do século 18 rodeado por cercas de arame farpado. Muitos dos prisioneiros do campo, incluindo seus amigos oficiais, começaram a levantar muitas questões sobre a vida, e imaginando se Deus os havia abandonado.

Muitos prisioneiros viram a Pieter e quiseram falar com ele a respeito da Igreja. Reuniões eram proibidas no campo de prisioneiros, entretanto, Pieter pegava duas pessoas a cada dia e andava ao redor do campo, em circulo, por muitos quilômetro, enquanto ensinava a respeito da Restauração. Vidas foram tocadas, pessoas se uniram a Igreja por causa de Pieter escolheu compartilhar alegria em vez de miséria. (Robert C. Freeman, Dennis A. Wright, Saints at War, p. 203-205).

Aqueles que acreditaram desejaram se reunir mesmo que fosse proibido. Eles escolheram uma sala isolada do monastério-prisão. Um por um, eles chegavam e se reuniam para sua Escola Dominical clandestina.

O primeiro varria a sala. O segundo cobria as janelas com um pano. Quando todos chegaram, cerca de 12 pessoas, eles iriam começar a ler tranquilamente, não podiam cantar. Eles falavam de uma passagem de escritura. Então eles liam e ponderavam as orações sacramentais, sem realizar a ordenança. (Mormon Times; Finding faith in Stalag 371; Michael De Groote; 29 de janeiro de 2009.)

O empregador de Vlam continuou a pagar seu salario para a sua família mesmo quando ele foi feito prisioneiro. Entretanto, a comida era escarça e a família tinha que pegar trens para viajar até o interior para comprar comida onde os preços eram mais baratos.

Em Stalag 371, as atividades de Vlam vieram à atenção do capelão voluntario da Igreja Reformada da Holanda que encontrou com cada pessoa do grupo de Vlam e os aconselhou a se afastarem dele, dizendo que embora ele desejasse fazer o bem, ele havia sido enganado pela sua Igreja. A fim de obter adeptos a sua causa, o capelão distribuiu material anti-Mórmon. Alguns desistiram de andar com Vlam, mas outros compararam o material com aquilo que havia sido ensinado e com o que as escrituras diziam. A causa do capelão foi frustrada, pois ao invés de enfraquecer ele acabou fortalecendo o testemunho do grupo. Eventualmente, eles fizeram reuniões ao ar livre – se não eram aprovados eram ao menos tolerados. Através do jejum mensal eles deram de comer aos prisioneiros mais fracos ou doentes que não pertenciam ao seu grupo. Vlam os alertou que a verdadeira prova ainda estaria por vir, pois aceitar o evangelho em um campo de prisioneiros longe das famílias e amigos não era o mesmo que ser fiel em circunstâncias normais. Viria o tempo em que eles deveriam escolher.

Em janeiro de 1944, o campo Stalag 371 foi esvaziado e os prisioneiros transferidos para um campo em Neubrandenburg, no norte de Berlim. O fim da guerra estava próximo. No domingo dia 5 de junho de 1945, em pé perto da porta aonde tinha ouvido o Espirito lhe dizer de que veria seu pai novamente, Grace Vlam, agora com 14 anos rececebeu seu pai.

Em 1949 Pieter Vlam e sua família se mudaram para os Estados Unidos e se estabeleceram na Cidade do Lago Salgado. Pieter faleceu no dia 31 de outubro de 1957 na Cidade do Lago Salgado, e sua esposa Hanna faleceu no dia 17 de junho de 1982 também na Cidade do Lago Salgado. Sua filha Grace é a ultima de seus filhos ainda viva. Muitos dos conversos de Vlam também faleceram, mas seu legado de fé continua. Pieter Vlam os ajudou a encontrar a verdade, e foi essa verdade que os libertou.