Mitt Romney, o candidato Republicano que esta concorrendo a Presidência dos Estados Unidos nas eleições de 2012, é um membro fiel de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (muitas vezes chamada de Igreja Mórmon). Como muitos outros jovens, Mitt também decidiu servir uma missão voluntario de tempo integral para a Igreja. Em julho de 1966 com 19 anos de idade, ele deixou seu lar para ir à França por um período de 30 meses. Durante este tempo ele teve a oportunidade de ensinar e pregar o evangelho do Senhor Jesus Cristo, e compartilhar seu testemunho pessoal do evangelho com outros.
Ele retornou aos Estados Unidos em 1968 e estava pronto a formar uma família. Sua missão o ajudou a amadurecer em sua fé e testemunho e estava ansioso em ter mais responsabilidade na Igreja SUD. Mais tarde ele diria: “Na missão, sua fé em Jesus Cristo pode desaparecer ou se tornar mais forte…Para mim ela ficou mais forte” (Daniel Burke, Religion News Service, “For Mitt Romney and other Mortmons, missions are like a ‘refines fire’”, 12 de junho de 2012, The Washington Post.)
Mitt Romney é o primeiro Mórmon a receber a nomeação para concorrer à presidência dos Estados Unidos de um partido importante que é por si só um feito extraordinário. As dificuldades, a saudade de casa, os percalços e o crescimento espiritual que vivenciou enquanto estava na missão é compartilhada por muitos que também serviram missão para a Igreja.
A Igreja do Senhor sempre foi uma igreja missionaria. O Senhor Jesus Cristo foi o perfeito exemplo de trabalho missionário. Seu inteiro ministério mortal foi centrado no serviço ao próximo. Ele ensinou o evangelho em todos os momentos, em todos os lugares, e para pessoas com diferentes origens. Quando ainda era jovem, Ele cuidou dos negócios de Seu Pai a ensinar no templo. Ele ensinou os pecadores, os fiéis, e até mesmo os descrentes. Ele chamou apóstolos e discípulos para irem adiante Dele e pregar as Boas Novas – o evangelho – de modo que mais pessoas pudessem receber as suas bênçãos. Muitos dos ensinamentos que Jesus deu durante Sua vida foi dirigido ao Seu próprio povo, os judeus. Depois de Sua ressurreição, Ele visitou Seus apóstolos e os comissionou:
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. (Marcos 16: 15-18)
Nas revelações modernas registradas em Doutrina e Convênios na seção 66, versículo 5 e 7, o Senhor diz:
Eis que em verdade eu te digo que é minha vontade que proclames o meu evangelho de terra em terra e de cidade em cidade, sim, nas regiões circunvizinhas onde ainda não tiver sido proclamado. Vai às terras do leste, presta testemunho em todos os lugares, a todo o povo e em suas sinagogas, arrazoando com o povo.
No final de 2011 a Igreja de Jesus Cristo havia mais de 14.44 milhões de membros. Destes 14 milhões, 57 mil missionários servem atualmente em todas as regiões ao redor do mundo. Eles dirigem, andam de bicicleta, nos ônibus, ou a pé, realizando proselitismo em praças publicas, batendo de porta em porta e distribuindo panfletos, frequentemente entre nove a dez horas por dia. A respeito do serviço missionário, os lideres SUD tem dito que os missionários são voluntários para um trabalho e dever descrito como uma “união entre uma vida quase monástica, uma promessa de fraternidade e de controle de pragas de vendas”.
A vida quotidiana de um missionário consiste em oração, estudo, preparação e proselitismo. Muitos daqueles que estão atualmente servindo uma missão deixaram em suspenso os estudos e promessas de carreiras para servir ao Senhor na Sua vinha onde ser rejeitado é a norma. Alguns missionários foram agredidos, roubados, humilhados, ridicularizados, estiveram no meio de fogo cruzado e mesmo mortos. Mesmo Mitt sobreviveu a um sério acidente de carro e foi perseguido por um time de jogadores de rúgbi enquanto servia sua missão na França. De acordo com uma pesquisa sobre os Mormons Americanos publicada neste ano pelo Fórum Pew de Religião e Vida Publica, 90 por cento dos missionários retornados disseram que o serviço fortaleceu a própria fé, e 80 por cento dizem que os ajudaram a preparar para suas bem sucedidas carreiras. Stephen B. Allen, diretor de gerenciamento do Departamento Missionário da Igreja SUD tem dito: “De muitas maneiras, os missionários primeiro convertem a si mesmos e isso muda a vida. Muitos estudiosos acreditam que encorajar os jovens a servirem honradas missões para a Igreja ao invés de deixa-los ir atrás de carros, apartamentos luxuosos, ou romances frívolos, é uma das coisas que tem ajudado a Igreja a manter sua taxa de retenção”.
Os Mórmons consideram o trabalho missionário um dever do sacerdócio, e os jovens que são comprometidos e moralmente dignos são encorajados a servir uma missão de dois anos quando completam 19 anos de idade. As mulheres Mórmons são elegíveis para servir por 18 meses a partir dos 21 anos de idade, porém elas não podem realizar batismos. De acordo com o estudo da Pew, apenas 11% das moças Mórmons servem uma missão. Matthew Bowman, autor do “The Mormon People”, que trata da historia da Igreja, disse: “Existe uma percepção que a missão tem um duplo proposito: fazer conversos, mas também fazer com que os jovens se tornem mais devotos a religião”.
Aqueles que desejam servir uma missão de tempo integral não podem escolher onde servirão. Com o apoio das famílias, eles contribuem com aproximadamente 400 dólares mensais para cobrir os custos. Muitos trabalham e economizam por anos para serem capazes de arcar com as despesas da missão. Muitos criam um “Fundo Missionário” para atingir esse objetivo. Se o seu pedido é aceito, o recém-chamado missionário mórmon é encaminhado para um dos 16 Centros de Treinamento Missionário ao redor do mundo. Descritos como “O Acampamento do Senhor”, o CTM prepara os Mórmons para a vida missionaria, iniciando a rotina restrita que começa as 6 da manha e com oração, estudos das escrituras e lições de língua e cultura. Os missionários são também encorajados a memorizarem passagens de escritura que incluem a seção 4 de Doutrina e Convênios:
AGORA eis que uma obra maravilhosa está para iniciar-se entre os filhos dos homens. Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia. Portanto, se tendes desejo de servir a Deus, sois chamados ao trabalho; Porque eis que o campo já está branco para a ceifa; e eis que aquele que lança a sua foice com vigor faz reserva, de modo que não perece, mas traz salvação a sua alma; E fé, esperança, caridade e amor, com os olhos fitos na glória de Deus, qualificam-no para o trabalho. Lembrai-vos da fé, da virtude, do conhecimento, da temperança, da paciência, da bondade fraternal, da piedade, da caridade, da humildade, da diligência. Pedi e recebereis; batei e ser-vos-á aberto. Amém.
Uma vez no campo missionário, eles são instruídos a ficarem sempre ao lado de seus companheiros (com exceção do banheiro), não ligarem para casa com exceção do Natal e do Dias das Mães. Musica, livros ou programas e filmes que não sejam relacionados ao Evangelho são proibidos. Também não é permitido encontros com o sexo oposto, principalmente na área da missão. Infrações a esse código de conduta pode fazer com que o missionário seja mandado de volta para casa. Os missionários também seguem um padrão de vestimenta – a plaqueta preta que leva seu nome, ternos escuros e camisas brancas (para os rapazes), ou blusas e saias (para as moças). Passam seus dias lendo, estudando, e ponderando sobra as escrituras, além de fazer proselitismo. Alguns são até mesmo chamados a liderarem congregações e ajudar seus companheiros missionários.
David Campbell é um cientista politico na Universidade de Notre Dame que serviu em Illinois durante os anos 90, ele diz: “Não é como ir fazer um programa de intercambio durante o segundo grau, é mais parecido com o regime militar”. Bian Carter, um advogado de Harrisburg, Pa. Que serviu no Equador de 1996 a 1998 disse que pode ser perigosos se você se encontrar no fogo cruzado durante uma briga de gangs, algo impensável na vida que levava na Califórnia.
A despeito de todos os desafios e dificuldades que eles podem ter enfrentado, muitos Mórmons missionários testificam que estes testes e experiências ajudaram a fortalecer sua fé. “De muitas maneiras servir em uma missão é como passar por um fogo purificador”, disse Rob Skidmore, que se lembra de andar de bicicleta debaixo de mais de 37 graus enquanto desviava das bolas de tinta disparadas dos veículos contra eles durante sua missão em Las Vegas de 2004 a 2006. “É um processo árduo, mas no final todas as impurezas tinham sido queimadas”.

Nenhum comentário ainda.
Comentário!